Meu maior presente é ter um amigo como você
Praticamente na véspera dos meus 30 anos, recebi algo, do meu amigo mais antigo, que me mostrou um novo lado da vida. Não há palavras para agradecer tudo o que ele escreveu e também não há palavras para agradecer tanto carinho. Por isso, resolvi dividir com outras pessoas, o que fez meu dia um dia muito diferente e especial.
A Vida nos 30... Ou simplesmente, A Vida!
Cris,
Refletir sobre as coisas da vida é um dos melhores exercícios que foram dados ao ser humano em forma de dom. Aliás, o dom de pensar, e consequentemente, refletir, é de exclusividade nossa, que somos esses seres estranhos, chamados humanos.
A questão fundamental é que o ato de reflexão deve ser usado sempre com boas intenções. Mas como assim? É fácil entender: Temos todos – naturalmente – uma louca tendência à sensação de que as coisas não são boas, ou não vão bem. Eu não sei se essa tendência é fruto dos bombardeios de marketing a que somos expostos diariamente em todas as mídias, ou se é biológioco, ou astrológico ou outro lógico qualquer. O fato é que normalmente, quando refletimos sobre a vida, achamos que algo não está bom ou que poderia estar melhor.
Acontece que a experiência de vida só vai nos ensinando coisas novas. Essa experiência só vai aumentando, e – pare para pensar – aos 30, você tem 10 anos de experiência a mais do que aos 20. Ôpa, uma vantagem!
Mas para que serve essa experiência? Eu ainda não sei se existe uma resposta absoluta para esta pergunta, mas de uma coisa eu tenho certeza: Hoje eu me sinto muito mais seguro (anos-luz mais seguro) do que aos 20 anos. E eu imagino e sinto que aos 40 serei ainda mais seguro, maduro, coerente, sensato, calmo e inteligente do que sou hoje. Aos 50 então... Não quero pensar agora, porque faria o tempo andar mais rápido, só pra chegar logo lá.
Em trinta e poucos anos, eu posso te assegurar de que vivi muitas experiências que só me ensinaram coisas boas. Mesmo as ruins. Certa vez, quando eu tinha uns 17 ou 18 anos, eu estava em uma viagem extremamente agradável com os meus pais (que na época tinham 48 anos) e naquele momento uma ficha me caiu. Na vida, temos tempo suficiente pra viver quase tudo o que gostaríamos de viver. E por que esse "click" exatamente naquele momento? Porque era um momento que, em anos anteriores, seria impensável.
Hoje os meus pais estão com 64 anos, cheios de energia e vivendo a cada dia uma aventura nova. Em tres anos e meio, olha quanta coisa mudou na vida deles: Minha irmã foi pra Franca e eu pra Miami. Por isso eles viveram coisas que jamais pensariam em viver há meros quatro anos atrás. Depois ela foi pro sul e eu vim pra BH. Novas "aventuras" vieram. E assim a vida segue, trazendo bons e maus momentos, que só vão te ensinando.
Outro exemplo simples, vindo de um beatlemaníaco que vc sabe que eu sou. Quando o Paul McCartney tinha 30 anos (30 anos!!!), ele achava que nunca conseguiria subir num palco aos 40. Aos 40 ele estava em turnê, mas achava que seria impensável fazer aquilo aos 50... E lá estava ele em turnê pelo mundo. Aos 60 eu o vi tocando que nem um adolecente de 20 anos... Curtindo aquele momento no palco... Essa turnê rodou os EUA de leste a oeste, foi para a Europa, ele tocou em lugares onde jamais havia tocado (Moscou, por exemplo), voltou a tocar em Liverpool, sua terra natal. Enfim, viveu emoções que poucas pessoas acreditariam que ele poderia viver. E cheio de energia, comendo uma gostosa 30 anos mais nova do que ele e tal.
Nesses trinta e poucos anos, algumas coisas me marcaram. No Imaco, nós tivemos que ler um livro em que a mensagem principal era: "A vida é uma montanha-russa. Às vezes estamos no alto. Às vezes estamos em baixo". Como eu aprendi com isso. Olhe para a sua vida e você vai identificar esses momentos.
Outra coisa que eu fui obrigado a exercitar – aliás o melhor exercício que se pode fazer quando o assunto é reflexão sobre a vida: SEMPRE, sempre devemos nos imaginar sobre uma linha divisória. Para um lado estão pessoas em melhor situação (emocional, financeira, profissional e etc.). Para o outro lado estão pessoas em pior situação. E isso, acredite, não é desculpa para derrotados. É só uma forma de olhar para si mesmo e ver como a vida pode ser boa, por mais que você não seja jornalista da Reuters e não viva entre NY e São Paulo. O exemplo típico, que exemplifica o que eu quero dizer está exatamente no seu texto: Seu amigo não podia passar os finais de semana tocando em bandas, se divertindo como os outros.
Naquele momento, JP estava do lado "melhor" a partir da SUA linha divisória. Os amigos dele estavam do lado "melhor" a partir da linha divisória DELE. Mas qual é o lado certo? Você concorda que não há o mesmo lado certo para duas pessoas diferentes?
Antes de concluir, segue uma curiosidade (que prova a minha teoria de que nada acontece por acaso): Ontem eu precisei vir ao escritório para recuperar velhos arquivos de um antigo HD de um antigo computador que eu tive.
Num domingo, sem telefones tocando, sem Paula e Ana Carolina por perto, eu tive tempo de sobra para abrir velhos arquivos, que eu salvei porque sabia que um dia iria gostar de rever. Um deles continha uma coletânea de e-mails que, quando eu recebia e gostava, salvava numa pasta especial. Até hoje, uma das mensagens que eu mais gostei de ler veio exatamente de você, e ontem eu tive a oportunidade de lê-la novamente.
Tal mensagem bate de frente exatamente com a minha modesta teoria da linha divisória, já que é um texto que mostra que somos uma percela pequena de felizardos, num mundo em que muitos não sabem ler, não enxergam, não têm dinheiro para comer, têm alguma doença grave, vivem em ditaduras, etc. etc. etc.
Onde eu quero chegar?
Na conclusão de que a crise dos 30 não pode existir. Aliás, nenhuma crise. Olhe sempre para as coisas boas que te cercam e agradeça a Deus por cada uma delas. Ao deitar, pense no seu travesseiro macio, sobre a sua cama macia, sob um teto que te cobre, em uma casa quentinha, com parentes por perto. Pense nos amigos que te mandaram uma mensagem durante o dia, nas coisas que aconteceram no seu emprego, na música que você ouviu no carro, no filme que você viu ontem (e conseguiu entender). Para muita gente na face da terra, tudo isso é um sonho distante. Gente que não pode pensar em nada disso, e ainda assim vive, sobrevive e certamente também tem o que agradecer.
Aos trinta e poucos, eu também não comprei o meu apartamento. Também aposentei certas roupas que não mais me caem bem (não é o caso de minissaias, viu?). Aos trinta e poucos eu não posso ir ao cinema com a minha mulher, porque tenho que ficar com a minha filha. Aos trinta e poucos eu não jogo mais bola, não saio todos os fins de semana pra beber com os amigos, não faço mais um monte de coisas que eu fazia aos vinte. Mas posso te garantir: Sou muito feliz hoje. Como era aos 20. Como quero ser aos 40, 50, 60, 70 e por aí vai. Em cada fase da minha vida, eu quero curtir coisas novas, que fazem parte de cada uma destas fases.
Mais do que isso, eu sei que coisas materiais vêm e vão num simples estalar de dedos. Eu tenho plena certeza de que mais cedo ou mais tarde eu vou comprar um apartamento, mas não sei quanto tempo vou ficar com ele. E isso não me importa. Mesmo! Deus sabe o que faz, e realmente escreve certo por linhas tortas. Basta você confiar. Em você e Nele.
Desculpa pelo loooooongo texto, mas eu senti uma pequena tristeza no seu post e eu achei que dividir esse ponto de vista com você poderia ser útil.
Carinhos
Paulo
A Vida nos 30... Ou simplesmente, A Vida!
Cris,
Refletir sobre as coisas da vida é um dos melhores exercícios que foram dados ao ser humano em forma de dom. Aliás, o dom de pensar, e consequentemente, refletir, é de exclusividade nossa, que somos esses seres estranhos, chamados humanos.
A questão fundamental é que o ato de reflexão deve ser usado sempre com boas intenções. Mas como assim? É fácil entender: Temos todos – naturalmente – uma louca tendência à sensação de que as coisas não são boas, ou não vão bem. Eu não sei se essa tendência é fruto dos bombardeios de marketing a que somos expostos diariamente em todas as mídias, ou se é biológioco, ou astrológico ou outro lógico qualquer. O fato é que normalmente, quando refletimos sobre a vida, achamos que algo não está bom ou que poderia estar melhor.
Acontece que a experiência de vida só vai nos ensinando coisas novas. Essa experiência só vai aumentando, e – pare para pensar – aos 30, você tem 10 anos de experiência a mais do que aos 20. Ôpa, uma vantagem!
Mas para que serve essa experiência? Eu ainda não sei se existe uma resposta absoluta para esta pergunta, mas de uma coisa eu tenho certeza: Hoje eu me sinto muito mais seguro (anos-luz mais seguro) do que aos 20 anos. E eu imagino e sinto que aos 40 serei ainda mais seguro, maduro, coerente, sensato, calmo e inteligente do que sou hoje. Aos 50 então... Não quero pensar agora, porque faria o tempo andar mais rápido, só pra chegar logo lá.
Em trinta e poucos anos, eu posso te assegurar de que vivi muitas experiências que só me ensinaram coisas boas. Mesmo as ruins. Certa vez, quando eu tinha uns 17 ou 18 anos, eu estava em uma viagem extremamente agradável com os meus pais (que na época tinham 48 anos) e naquele momento uma ficha me caiu. Na vida, temos tempo suficiente pra viver quase tudo o que gostaríamos de viver. E por que esse "click" exatamente naquele momento? Porque era um momento que, em anos anteriores, seria impensável.
Hoje os meus pais estão com 64 anos, cheios de energia e vivendo a cada dia uma aventura nova. Em tres anos e meio, olha quanta coisa mudou na vida deles: Minha irmã foi pra Franca e eu pra Miami. Por isso eles viveram coisas que jamais pensariam em viver há meros quatro anos atrás. Depois ela foi pro sul e eu vim pra BH. Novas "aventuras" vieram. E assim a vida segue, trazendo bons e maus momentos, que só vão te ensinando.
Outro exemplo simples, vindo de um beatlemaníaco que vc sabe que eu sou. Quando o Paul McCartney tinha 30 anos (30 anos!!!), ele achava que nunca conseguiria subir num palco aos 40. Aos 40 ele estava em turnê, mas achava que seria impensável fazer aquilo aos 50... E lá estava ele em turnê pelo mundo. Aos 60 eu o vi tocando que nem um adolecente de 20 anos... Curtindo aquele momento no palco... Essa turnê rodou os EUA de leste a oeste, foi para a Europa, ele tocou em lugares onde jamais havia tocado (Moscou, por exemplo), voltou a tocar em Liverpool, sua terra natal. Enfim, viveu emoções que poucas pessoas acreditariam que ele poderia viver. E cheio de energia, comendo uma gostosa 30 anos mais nova do que ele e tal.
Nesses trinta e poucos anos, algumas coisas me marcaram. No Imaco, nós tivemos que ler um livro em que a mensagem principal era: "A vida é uma montanha-russa. Às vezes estamos no alto. Às vezes estamos em baixo". Como eu aprendi com isso. Olhe para a sua vida e você vai identificar esses momentos.
Outra coisa que eu fui obrigado a exercitar – aliás o melhor exercício que se pode fazer quando o assunto é reflexão sobre a vida: SEMPRE, sempre devemos nos imaginar sobre uma linha divisória. Para um lado estão pessoas em melhor situação (emocional, financeira, profissional e etc.). Para o outro lado estão pessoas em pior situação. E isso, acredite, não é desculpa para derrotados. É só uma forma de olhar para si mesmo e ver como a vida pode ser boa, por mais que você não seja jornalista da Reuters e não viva entre NY e São Paulo. O exemplo típico, que exemplifica o que eu quero dizer está exatamente no seu texto: Seu amigo não podia passar os finais de semana tocando em bandas, se divertindo como os outros.
Naquele momento, JP estava do lado "melhor" a partir da SUA linha divisória. Os amigos dele estavam do lado "melhor" a partir da linha divisória DELE. Mas qual é o lado certo? Você concorda que não há o mesmo lado certo para duas pessoas diferentes?
Antes de concluir, segue uma curiosidade (que prova a minha teoria de que nada acontece por acaso): Ontem eu precisei vir ao escritório para recuperar velhos arquivos de um antigo HD de um antigo computador que eu tive.
Num domingo, sem telefones tocando, sem Paula e Ana Carolina por perto, eu tive tempo de sobra para abrir velhos arquivos, que eu salvei porque sabia que um dia iria gostar de rever. Um deles continha uma coletânea de e-mails que, quando eu recebia e gostava, salvava numa pasta especial. Até hoje, uma das mensagens que eu mais gostei de ler veio exatamente de você, e ontem eu tive a oportunidade de lê-la novamente.
Tal mensagem bate de frente exatamente com a minha modesta teoria da linha divisória, já que é um texto que mostra que somos uma percela pequena de felizardos, num mundo em que muitos não sabem ler, não enxergam, não têm dinheiro para comer, têm alguma doença grave, vivem em ditaduras, etc. etc. etc.
Onde eu quero chegar?
Na conclusão de que a crise dos 30 não pode existir. Aliás, nenhuma crise. Olhe sempre para as coisas boas que te cercam e agradeça a Deus por cada uma delas. Ao deitar, pense no seu travesseiro macio, sobre a sua cama macia, sob um teto que te cobre, em uma casa quentinha, com parentes por perto. Pense nos amigos que te mandaram uma mensagem durante o dia, nas coisas que aconteceram no seu emprego, na música que você ouviu no carro, no filme que você viu ontem (e conseguiu entender). Para muita gente na face da terra, tudo isso é um sonho distante. Gente que não pode pensar em nada disso, e ainda assim vive, sobrevive e certamente também tem o que agradecer.
Aos trinta e poucos, eu também não comprei o meu apartamento. Também aposentei certas roupas que não mais me caem bem (não é o caso de minissaias, viu?). Aos trinta e poucos eu não posso ir ao cinema com a minha mulher, porque tenho que ficar com a minha filha. Aos trinta e poucos eu não jogo mais bola, não saio todos os fins de semana pra beber com os amigos, não faço mais um monte de coisas que eu fazia aos vinte. Mas posso te garantir: Sou muito feliz hoje. Como era aos 20. Como quero ser aos 40, 50, 60, 70 e por aí vai. Em cada fase da minha vida, eu quero curtir coisas novas, que fazem parte de cada uma destas fases.
Mais do que isso, eu sei que coisas materiais vêm e vão num simples estalar de dedos. Eu tenho plena certeza de que mais cedo ou mais tarde eu vou comprar um apartamento, mas não sei quanto tempo vou ficar com ele. E isso não me importa. Mesmo! Deus sabe o que faz, e realmente escreve certo por linhas tortas. Basta você confiar. Em você e Nele.
Desculpa pelo loooooongo texto, mas eu senti uma pequena tristeza no seu post e eu achei que dividir esse ponto de vista com você poderia ser útil.
Carinhos
Paulo

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